18 de abril de 2010

Extreme makeover

Antes:




Depois:



E as coisas ficam coloridas novamente.

14 de abril de 2010

Prêmio Carlos Gomes

Já está aberta a votação popular do XIII Prêmio de Ópera & Música Erudita Carlos Gomes. Até o dia 24 de abril o site recebe os votos do público e, a partir do dia 25, começa a deliberação da comissão julgadora, que este ano conta com a participação da soprano Niza de Castro Tank (presidente) e do compositor Almeida Prado (vice-presidente). A entrega dos prêmios ocorre no dia 5 de maio, às 21h00, na Sala São Paulo. Para conferir é só reservar os ingressos (até um par de ingressos por CPF) no próprio site do prêmio (http://www.premiocarlosgomes.com.br). A abertura da cerimônia contará com uma apresentação da Orquestra Sinfônica de Santo André, sob regência de Carlos Moreno, com a participação das solistas Gabriella Pace e Adriana Clis.

Para votar é só clicar aqui.

24 de março de 2010

Jesus, apaga a luz!

Ideia para roteiro:

CENA 01

INT/PRÉDIO VIZINHO AO MEU/NOITE

Dois ratos brancos conversam dentro de uma gaiola que repousa em cima de uma bancada de mármore acinzentado. Um dos ratos olha para o horizonte enquanto o outro parece hipnotizado pelo pequeno aparelho de televisão do outro lado da bancada.


PINKY
Venha, Cérebro, vamos assitir
à eliminação do BBB.

CÉREBRO
Não, Pinky, temos que nos
preparar para hoje à noite.

PINKY
Por que, Cérebro? O que
vamos fazer hoje à noite?

CÉREBRO
O que fazemos todas as noites, Pinky:
deixar acesas as luzes que batem na
janela do quarto do Fernando para que
ele não consiga dormir a noite inteira.



FADE OUT


Certeza que é assim.

22 de março de 2010

Metonímia

Com exceção do Paulinho da Viola, do Zé do Cavaquinho e do Jackson do Pandeiro, só tem picareta mesmo.

19 de março de 2010

Um pouco de teoria não faz mal


A OSESP acaba de lançar um novo programa de palestras e educação musical: Música na Cabeça. Além das aulas do Falando de Música na OSESP (todo dia de concerto, uma hora e quinze minutos antes do começo do espetáculo), o público agora vai ter a oportunidade de aprender mais com aulas mais profundas ministradas por professores conceituados. A iniciativa é uma parceria da OSESP com o jornal O Estado de S. Paulo e começa no dia 24/03, às 19h30, com a palestra Os Mundos de Mahler, ministrada pelo professor da USP Jorge de Almeida. Mas, atenção, as vagas são limitadas.

Inscrições aqui.

17 de março de 2010

Antes tarde do que nunca

A noite de sexta-feira (12) não começou muito bem para a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo: a execução da Fanfare de Paul Dukas, apesar do bom desempenho dos metais, foi insossa e não empolgou o público, aparentemente formado em sua maioria por neófitos (é interessante notar a diferença entre o comportamento dos iniciantes e dos já habituados às salas de concerto).

Parte do ballet La Péri, composto por Dukas em 1911, a Fanfare poderia ter sido uma abertura divertida para a noite, mas foi tratada sem o devido brilho que a ausência das cordas em uma composição exige dos demais instrumentos.

O que era para ser o destaque da noite, a execução do Don Quixote de Richard Strauss com o violoncelista Guy Johnston, não decepcionou; mas, para um solista que tocou o Concerto para Violoncelo de Elgar no BBC Proms, maior festival de música erudita do Reino Unido, o desempenho de Johnston ficou aquém do esperado (merece destaque especial, no entanto, a viola de Giovanni Pasini, solista da OSESP, que travou belíssimos diálogos com o cello de Johnston, especialmente na primeira e terceira variações).

O melhor da noite ficou, quem diria, para depois do intervalo: uma encantadora interpretação dos Nocturnes de Debussy, repleta de lirismo e ainda com o desempenho impecável do coro feminino da OSESP, e uma Dança dos Sete Véus (também de Strauss) vibrante, retratando com precisão a perturbadora dança que Salomé executa para Herodes, deixaram o público em transe, encerrando muito bem as participações de Tortelier à frente da orquestra nestes primeiros meses de 2010.

10 de março de 2010

OSESP inaugura temporada 2010 em clima de brincadeira

Depois de um ano conturbado pelas polêmicas levantadas com a saída de John Neschling, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo deu o tom da nova temporada de concertos: descontração.

No primeiro dia de concerto, Yan Pascal Tortelier subiu ao palco para reger a Fantasia sobre o Hino Nacional Brasileiro, composta por André Mehmari, que substituiu a tradicional execução do Hino de Francisco Manuel da Silva. Poucos compassos depois, no entanto, ficou claro que a obra sendo executada se tratava da Marselhesa. E assim que o tema do hino francês apareceu, Tortelier interrompeu a orquestra gritando “Stop!”. Apesar de recebida por risadas discretas, a brincadeira do novo Regente Titular da maior orquestra do país manda uma mensagem importante: é hora de acabar com o clima que a demissão de Neschling gerou e seguir em frente. Com uma temporada complexa, que receberá 22 regentes convidados e dará início à ambiciosa iniciativa de executar todas as sinfonias de Gustav Mahler, não há tempo a perder com intrigas.

E com a bela execução de Lars Vogt do Concerto para Piano em Lá menor de Robert Schumann a orquestra se mostrou mais focada do que nunca. Apesar da escolha de uma interpretação não muito ortodoxa em alguns momentos, a sincronia entre solista e orquestra foi invejável, sendo ofuscada somente pela já conhecida simbiose que a OSESP mantém com o Coro de Naomi Munakata (que ganhou o reforço do Coral Paulistano para a interpretação do Salmo Op. 47 de Florent Schmitt). Passado um ano de muitas especulações e debates, a orquestra mostrou sua força logo na primeira semana, deixando todos ansiosos pelo que vem por aí.

16 de fevereiro de 2010

Linha de montagem

Uma das coisas contra as quais luto diariamente é o preconceito artístico. Não no sentido de ser um ativista e ficar incomodando parando as pessoas na Avenida Paulista para distribuir panfletos, mas no sentido de tentar não cultivar uma forma de discriminação. Antes de criticar com veemência uma peça ou um filme (pelo menos em público), tento ver se, quem sabe, não fui eu que não entendi a proposta da obra.

Tenho sérios problemas, no entanto, com arte transformada em mercadoria e produzida em série para vender e dar lucro para as produtoras/editoras/gravadoras. Filmes que seguem a mesma fórmula e com o mesmo argumento, livros que obedecem sempre um mesmo roteiro mudando somente os personagens e álbuns que não trazem nada para o gênero a que pertencem me tiram do sério. Não por ser um "artista", um "entendido" ou qualquer outro desses rótulos, mas porque essas obras raramente assumem o que são, tentando se vender como algo com mais profundidade do que de fato têm.

Agora, minhas sinceras desculpas: esse texto chato que você leu até aqui foi só um pretexto pra (re)mostrar um dos meus vídeos preferidos de todos os tempos. Have fun.


8 de fevereiro de 2010

Não sou (só) eu quem me navega

No último sábado (re)descobri a Rapsódia Húngara nº6 de Liszt. Adepto do air piano que sou (além de air cello, air conducting e air violin), passei o final de semana inteiro tocando a última parte da peça em (quase) todas as superfícies que encontrei; desnecessário dizer que meu braço ficou doendo e que me olharam torto no cinema.

Pensando em como nunca foi registrada a queda dos braços dos pianistas que tocam essa rapsódia, conversei com a minha professora de piano hoje sobre como evitar a dor e as lesões que podem vir de tocar essas peças insanas complicadas. No caso de escalas de oitavas, há algumas técnicas: levantar o pulso de tantas em tantas notas (para tensionar menos a musculatura), treinar a sequência em velocidades variadas, começando lá embaixo no metrônomo, entre outras tantas estratégias. Todas elas, no entanto, requerem uma dose de, digamos, supervisão.

Apesar de vivermos nos tempos de faculdade semi-presencial (sic), tutoriais e apostilas on-line, a cultura do "faça você mesmo" não tem lugar no ensino da música. Claro que ver os outros fazendo é uma ótima maneira de aperfeiçoar seu próprio desempenho, mas, como tudo na vida, com moderação. Aplicativos de Iphone, cursos em vídeo (ou mesmo em livros) ou tutoriais não servem para ensinar tudo. Música, assim como qualquer outra arte, é um mar complicado. Não dá para sair nadando sem farol ou navegando sem timoneiro. Caso contrário, o risco é de ficar flutuando a esmo, sem bóia, sem sair do lugar e com uma bela lesão para mostrar para os netos.

18 de janeiro de 2010

Plus du même


Não dá para falar mal de Charles Aznavour. Afinal, alguém que já compôs cerca de 1.000 canções, vendeu mais de 100 milhões de discos e foi escolhido pela CNN como entertainer do século (desbancando nomes como Elvis Presley e Bob Dylan) com certeza assegurou seu lugar na história da música. Só que, conforme a idade vai chegando, é difícil fugir daquela vontade de continuar fazendo o que sempre deu certo. E é nesse clima de segurança que chega Charles Aznavour And The Clayton-Hamilton Jazz Orchestra.

Trabalhando com a orquestra criada por John Clayton, Jeff Hamilton e Jeff Clayton em 1985, Aznavour traz um álbum que mais parece uma mistura de Tony Bennett com Diana Krall. E se você perguntar "e o que tem de mal nisso?", vou responder "absolutamente nada". Bem na verdade, o CD é muito gostoso de ouvir. É mais um dos bons exemplares de um grande vocalista à frente de uma grande Big Band. E grande talvez não seja o bastante quando falamos da Clayton-Hamilton Orchestra.

Já conhecemos bem John Clayton e Jeff Hamilton, que vêm trabalhando com Diana Krall desde 1993. Nesse álbum, no entanto, a orquestra parece gozar de mais independência, talvez por Aznavour, ao contrário de Diana, não ser a atração do disco como instrumentista e improvisador. Clayton não só produz o CD como assina todos os arranjos e rege sua orquestra nos trazendo grandes momentos, seja embalando a voz de Aznavour, seja dando destaque a seus ótimos solistas.

E, por falar em solistas, os destaques do álbum são as faixas com a participação de Rachelle Ferrell (Fier de Nous e I've Discovered that I Love You) e de Dianne Reeves (The Times We've Known). Intimistas e sutis, os arranjos mostram mais um casal cantando confortavelmente do que uma dupla de intérpretes tentando mostrar seus dotes artísticos e dominar a orquestra.
Charles Aznavour And The Clayton-Hamilton Jazz Orchestra pode não inovar, mas nos dá mais de algo a que estamos acostumados e de que não nos cansaremos tão facilmente.



Álbum: Charles Aznavour And The Clayton-Hamilton Jazz Orchestra
Artista: Charles Aznavour
Melhor preço: Saraiva
Quantos temakis vale: de dois a três
Quando ouvir: enquanto se prepara para começar o dia, enquanto cozinha ou enquanto arruma a casa esperando visitas.

14 de janeiro de 2010

O percussionista que veio do frio

Hoje em dia, experimentalismo é o que não falta na música erudita. Enquanto Cláudio Dauelsberg tem seu quinteto que utiliza UM piano de cauda das mais variadas formas, Sofia Gubaidulina escreve sinfonias com solos para o regente e John Cage (sempre ele) compõe uma peça que leva 639 anos para ser tocada (mais sobre isso em breve). Foi nessa onda que tropecei no trabalho de Terje Isungset, musicista norueguês que inovou ao utilizar instrumentos feitos de gelo.

Apaixonado pela natureza, Isungset atua principalmente como percussionista e já gravou ao longo dos anos música interpretada em madeira, pedras e granito. Agora ele parte para o trabalho com o gelo, explorando novas sonoridades percursivas, além de uma curiosa corneta que lembra o som de um berrante.

As peças interpretadas nessse repertório trazem uma sonoridade meditativa, que nos fazem flutuar e seguir o fluxo proposto por Isungset. A atmosfera criada é resultado da combinação dos timbres desses instrumentos que, segundo o próprio compositor, "trazem um som único, quente e bonito". Terje Isungset ressalta também o papel da natureza na criação desse som, quando diz que o gelo criado artificialmente é perfeito, transparente e sem bolhas, mas que resulta em instrumentos mortos, sem sentimento nem sonoridade.


8 de janeiro de 2010

Não é só o Papa que é pop

Um artigo curioso saiu no Estadão de 01/01. Escrito por Daniel Wakin, do The New York Times, fala da relação de Alec Baldwin com a música erudita e conta que, em 2010, o ator vai apresentar um programa na WFMT Radio Network, comentando os concertos semanais da Filarmônica de Nova York. Logo no primeiro parágrafo, Wakin lembra a importância de associar a imagem de um astro pop à de uma orquestra, retomando no primeiro dia do ano um assunto que vem assombrando os musicólogos, a popularização da música erudita.

Em uma época em que as gravadoras estão lutando para sobreviver ao download de música digital, é difícil acreditar que o crescente público que busca os torrents compareça a salas de concerto, com exceção dos aficionados por música. Essa fixação, no entanto, dificilmente surge do nada. Assim como todos tivemos amigos ou irmãos mais velhos que nos apresentaram aos Beatles e ao Metallica e nos explicaram a genialidade de Steve Vai e Eddie Van Halen, não dá para entender sozinho a beleza dos detalhes das peças de Schumann ou a grandiosidade de Mahler.

O problema é que, com o passar das gerações, o estudo da música foi deixando de ser uma prioridade em casa. E, se as crianças não começam a estudar piano porque a mãe ou a avó tocavam, a educação musical fica para as escolas, que em sua maioria não trazem mais a música no currículo. Com a criação de mais orquestras e a inserção da música na educação básica, é possível reverter o envelhecimento do público e, como foi feito na Venezuela com a Orquestra Simón Bolívar, trazer vida nova às salas de concerto.

6 de janeiro de 2010

Feliz aniversário (atrasado), Brendel!

No dia cinco de janeiro, um dos mais notórios pianistas do século XX completa 79 anos.
Nascido na antiga Checoslováquia, Alfred Brendel fez sua fama em Viena, gravando com o selo Vox. Depois de um recital no Queen Elizabeth Hall, nos anos 1970, conseguiu um contrato com a Philips Classics Records, se mudou para Londres e fez fama como um dos principais intérpretes de compositores germânicos, principalmente Schubert e Beethoven (do qual Brendel foi o primeiro a gravar a integral dos trabalhos para piano solo).
Brendel acredita que a tarefa do pianista é respeitar completamente os desejos do compositor, sem abusar do virtuosismo nem dar nenhum toque pessoal à música. Dividindo a crítica, suas intepretações são amadas por alguns e odiadas por outros.

3 de janeiro de 2010

Talento e perplexidade

Antes de mais nada, vamos deixar um coisa bem clara: o talento é dela, a perplexidade é minha. Como eu demorei tanto tempo para descobrir essa moça? Acho que minha capacidade de me atualizar rápido não é mais o que era. Mas vamos ao que interessa.

Já comecei o ano com a mão no bolso. Dei uma passada na Livraria Cultura para comprar a primeira temporada de Mad Men e acabei saindo de lá com quatro CDs que não estavam planejados (mentira, alguns estavam). Um deles é o My One and Only Thrill, da Melody Gardot. Essa moça deve ser conhecida de alguns por ter uma de suas músicas como tema da novela Caras e Bocas. Mas vamos deixar o preconceito de lado e lembrar que novelas já divulgaram gente muito legal, como Norah Jones e Sara Bareilles, ok?

De volta a Gardot. Essa menina, praticamente da minha idade, começou a estudar música aos nove anos e a se apresentar na night aos dezesseis. Ela canta com a facilidade da Nina Simone e tem uma voz que eu poderia ouvir o dia inteiro. E se você já foi procurá-la no Google Imagens e só encontrou fotos dela com óculos escuros, não se preocupe, não é charme nem afetação. Em 2005 Gardot sofreu um acidente que resultou em várias (várias mesmo) sequelas, incluindo hipersensibilidade à luz. E foi na cama do hospital, à la Fred Mercury, que ela começou a escrever as próprias canções (das doze faixas desse álbum, oito são dela e as outras, com exceção de Over the Rainbow, foram escritas por Melody em parceria com Jesse Harris).

A variedade do disco, eu assumo, não é muito grande. Algumas músicas parecem quase se mesclar, o que acaba não sendo de todo mau, já que os arranjos são ricos e bem produzidos, alguns inclusive com um toque leve de bossa nova que, como todo mundo sabe, está na moda no mundo (assim como o Brasil). Mas o que realmente impressiona é a segurança da voz de Melody Gardot. Ela não só canta como se estivesse na sala de casa, como se dá liberdades dignas de intérpretes muito mais velhos e experientes, como as improvisações vocais das faixas dois e sete. Sem dúvida é um CD que vale o preço, vale o tempo e vale o risco de ir até a Livraria Cultura, com tantos jogadores de baseball andando por aí.



Álbum: My One and Only Thrill
Artista: Melody Gardot
Melhor preço: Saraiva
Quantos temakis vale: de três a quatro
Quando ouvir: logo depois de acordar (Ipod), jantar a meia luz ou café tarde da noite.

1 de janeiro de 2010

Novo ano, velhos defeitos e limonada


Eu sempre fiz listas com resoluções para o ano novo (que, aqui, não leva hífen). Escrevia tudo e colocava em um envelope que eu acabava perdendo, por confiar demais nas minhas capacidades mnemônicas e pensar que jamais esqueceria um envelope guardado dentro de um pote vazio de manteiga ou na letra R do dicionário. Depois de perceber que algumas resoluções estavam se repetindo, desisti (mas eu ainda vou emagrecer e aprender outro idioma). E, nesse ano, resolvi usar algum dos velhos defeitos para dar vida ao blog, transformando meu consumismo musical em texto. Quem sabe dessa vez eu mostre para uma tia chata que eu consigo sim ir até o fim com as coisas (já que o aquário e a coleção de selos não contam).

Feliz 2010.