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18 de janeiro de 2010

Plus du même


Não dá para falar mal de Charles Aznavour. Afinal, alguém que já compôs cerca de 1.000 canções, vendeu mais de 100 milhões de discos e foi escolhido pela CNN como entertainer do século (desbancando nomes como Elvis Presley e Bob Dylan) com certeza assegurou seu lugar na história da música. Só que, conforme a idade vai chegando, é difícil fugir daquela vontade de continuar fazendo o que sempre deu certo. E é nesse clima de segurança que chega Charles Aznavour And The Clayton-Hamilton Jazz Orchestra.

Trabalhando com a orquestra criada por John Clayton, Jeff Hamilton e Jeff Clayton em 1985, Aznavour traz um álbum que mais parece uma mistura de Tony Bennett com Diana Krall. E se você perguntar "e o que tem de mal nisso?", vou responder "absolutamente nada". Bem na verdade, o CD é muito gostoso de ouvir. É mais um dos bons exemplares de um grande vocalista à frente de uma grande Big Band. E grande talvez não seja o bastante quando falamos da Clayton-Hamilton Orchestra.

Já conhecemos bem John Clayton e Jeff Hamilton, que vêm trabalhando com Diana Krall desde 1993. Nesse álbum, no entanto, a orquestra parece gozar de mais independência, talvez por Aznavour, ao contrário de Diana, não ser a atração do disco como instrumentista e improvisador. Clayton não só produz o CD como assina todos os arranjos e rege sua orquestra nos trazendo grandes momentos, seja embalando a voz de Aznavour, seja dando destaque a seus ótimos solistas.

E, por falar em solistas, os destaques do álbum são as faixas com a participação de Rachelle Ferrell (Fier de Nous e I've Discovered that I Love You) e de Dianne Reeves (The Times We've Known). Intimistas e sutis, os arranjos mostram mais um casal cantando confortavelmente do que uma dupla de intérpretes tentando mostrar seus dotes artísticos e dominar a orquestra.
Charles Aznavour And The Clayton-Hamilton Jazz Orchestra pode não inovar, mas nos dá mais de algo a que estamos acostumados e de que não nos cansaremos tão facilmente.



Álbum: Charles Aznavour And The Clayton-Hamilton Jazz Orchestra
Artista: Charles Aznavour
Melhor preço: Saraiva
Quantos temakis vale: de dois a três
Quando ouvir: enquanto se prepara para começar o dia, enquanto cozinha ou enquanto arruma a casa esperando visitas.

3 de janeiro de 2010

Talento e perplexidade

Antes de mais nada, vamos deixar um coisa bem clara: o talento é dela, a perplexidade é minha. Como eu demorei tanto tempo para descobrir essa moça? Acho que minha capacidade de me atualizar rápido não é mais o que era. Mas vamos ao que interessa.

Já comecei o ano com a mão no bolso. Dei uma passada na Livraria Cultura para comprar a primeira temporada de Mad Men e acabei saindo de lá com quatro CDs que não estavam planejados (mentira, alguns estavam). Um deles é o My One and Only Thrill, da Melody Gardot. Essa moça deve ser conhecida de alguns por ter uma de suas músicas como tema da novela Caras e Bocas. Mas vamos deixar o preconceito de lado e lembrar que novelas já divulgaram gente muito legal, como Norah Jones e Sara Bareilles, ok?

De volta a Gardot. Essa menina, praticamente da minha idade, começou a estudar música aos nove anos e a se apresentar na night aos dezesseis. Ela canta com a facilidade da Nina Simone e tem uma voz que eu poderia ouvir o dia inteiro. E se você já foi procurá-la no Google Imagens e só encontrou fotos dela com óculos escuros, não se preocupe, não é charme nem afetação. Em 2005 Gardot sofreu um acidente que resultou em várias (várias mesmo) sequelas, incluindo hipersensibilidade à luz. E foi na cama do hospital, à la Fred Mercury, que ela começou a escrever as próprias canções (das doze faixas desse álbum, oito são dela e as outras, com exceção de Over the Rainbow, foram escritas por Melody em parceria com Jesse Harris).

A variedade do disco, eu assumo, não é muito grande. Algumas músicas parecem quase se mesclar, o que acaba não sendo de todo mau, já que os arranjos são ricos e bem produzidos, alguns inclusive com um toque leve de bossa nova que, como todo mundo sabe, está na moda no mundo (assim como o Brasil). Mas o que realmente impressiona é a segurança da voz de Melody Gardot. Ela não só canta como se estivesse na sala de casa, como se dá liberdades dignas de intérpretes muito mais velhos e experientes, como as improvisações vocais das faixas dois e sete. Sem dúvida é um CD que vale o preço, vale o tempo e vale o risco de ir até a Livraria Cultura, com tantos jogadores de baseball andando por aí.



Álbum: My One and Only Thrill
Artista: Melody Gardot
Melhor preço: Saraiva
Quantos temakis vale: de três a quatro
Quando ouvir: logo depois de acordar (Ipod), jantar a meia luz ou café tarde da noite.