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8 de fevereiro de 2010

Não sou (só) eu quem me navega

No último sábado (re)descobri a Rapsódia Húngara nº6 de Liszt. Adepto do air piano que sou (além de air cello, air conducting e air violin), passei o final de semana inteiro tocando a última parte da peça em (quase) todas as superfícies que encontrei; desnecessário dizer que meu braço ficou doendo e que me olharam torto no cinema.

Pensando em como nunca foi registrada a queda dos braços dos pianistas que tocam essa rapsódia, conversei com a minha professora de piano hoje sobre como evitar a dor e as lesões que podem vir de tocar essas peças insanas complicadas. No caso de escalas de oitavas, há algumas técnicas: levantar o pulso de tantas em tantas notas (para tensionar menos a musculatura), treinar a sequência em velocidades variadas, começando lá embaixo no metrônomo, entre outras tantas estratégias. Todas elas, no entanto, requerem uma dose de, digamos, supervisão.

Apesar de vivermos nos tempos de faculdade semi-presencial (sic), tutoriais e apostilas on-line, a cultura do "faça você mesmo" não tem lugar no ensino da música. Claro que ver os outros fazendo é uma ótima maneira de aperfeiçoar seu próprio desempenho, mas, como tudo na vida, com moderação. Aplicativos de Iphone, cursos em vídeo (ou mesmo em livros) ou tutoriais não servem para ensinar tudo. Música, assim como qualquer outra arte, é um mar complicado. Não dá para sair nadando sem farol ou navegando sem timoneiro. Caso contrário, o risco é de ficar flutuando a esmo, sem bóia, sem sair do lugar e com uma bela lesão para mostrar para os netos.

8 de janeiro de 2010

Não é só o Papa que é pop

Um artigo curioso saiu no Estadão de 01/01. Escrito por Daniel Wakin, do The New York Times, fala da relação de Alec Baldwin com a música erudita e conta que, em 2010, o ator vai apresentar um programa na WFMT Radio Network, comentando os concertos semanais da Filarmônica de Nova York. Logo no primeiro parágrafo, Wakin lembra a importância de associar a imagem de um astro pop à de uma orquestra, retomando no primeiro dia do ano um assunto que vem assombrando os musicólogos, a popularização da música erudita.

Em uma época em que as gravadoras estão lutando para sobreviver ao download de música digital, é difícil acreditar que o crescente público que busca os torrents compareça a salas de concerto, com exceção dos aficionados por música. Essa fixação, no entanto, dificilmente surge do nada. Assim como todos tivemos amigos ou irmãos mais velhos que nos apresentaram aos Beatles e ao Metallica e nos explicaram a genialidade de Steve Vai e Eddie Van Halen, não dá para entender sozinho a beleza dos detalhes das peças de Schumann ou a grandiosidade de Mahler.

O problema é que, com o passar das gerações, o estudo da música foi deixando de ser uma prioridade em casa. E, se as crianças não começam a estudar piano porque a mãe ou a avó tocavam, a educação musical fica para as escolas, que em sua maioria não trazem mais a música no currículo. Com a criação de mais orquestras e a inserção da música na educação básica, é possível reverter o envelhecimento do público e, como foi feito na Venezuela com a Orquestra Simón Bolívar, trazer vida nova às salas de concerto.