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22 de março de 2010

Metonímia

Com exceção do Paulinho da Viola, do Zé do Cavaquinho e do Jackson do Pandeiro, só tem picareta mesmo.

16 de fevereiro de 2010

Linha de montagem

Uma das coisas contra as quais luto diariamente é o preconceito artístico. Não no sentido de ser um ativista e ficar incomodando parando as pessoas na Avenida Paulista para distribuir panfletos, mas no sentido de tentar não cultivar uma forma de discriminação. Antes de criticar com veemência uma peça ou um filme (pelo menos em público), tento ver se, quem sabe, não fui eu que não entendi a proposta da obra.

Tenho sérios problemas, no entanto, com arte transformada em mercadoria e produzida em série para vender e dar lucro para as produtoras/editoras/gravadoras. Filmes que seguem a mesma fórmula e com o mesmo argumento, livros que obedecem sempre um mesmo roteiro mudando somente os personagens e álbuns que não trazem nada para o gênero a que pertencem me tiram do sério. Não por ser um "artista", um "entendido" ou qualquer outro desses rótulos, mas porque essas obras raramente assumem o que são, tentando se vender como algo com mais profundidade do que de fato têm.

Agora, minhas sinceras desculpas: esse texto chato que você leu até aqui foi só um pretexto pra (re)mostrar um dos meus vídeos preferidos de todos os tempos. Have fun.


14 de janeiro de 2010

O percussionista que veio do frio

Hoje em dia, experimentalismo é o que não falta na música erudita. Enquanto Cláudio Dauelsberg tem seu quinteto que utiliza UM piano de cauda das mais variadas formas, Sofia Gubaidulina escreve sinfonias com solos para o regente e John Cage (sempre ele) compõe uma peça que leva 639 anos para ser tocada (mais sobre isso em breve). Foi nessa onda que tropecei no trabalho de Terje Isungset, musicista norueguês que inovou ao utilizar instrumentos feitos de gelo.

Apaixonado pela natureza, Isungset atua principalmente como percussionista e já gravou ao longo dos anos música interpretada em madeira, pedras e granito. Agora ele parte para o trabalho com o gelo, explorando novas sonoridades percursivas, além de uma curiosa corneta que lembra o som de um berrante.

As peças interpretadas nessse repertório trazem uma sonoridade meditativa, que nos fazem flutuar e seguir o fluxo proposto por Isungset. A atmosfera criada é resultado da combinação dos timbres desses instrumentos que, segundo o próprio compositor, "trazem um som único, quente e bonito". Terje Isungset ressalta também o papel da natureza na criação desse som, quando diz que o gelo criado artificialmente é perfeito, transparente e sem bolhas, mas que resulta em instrumentos mortos, sem sentimento nem sonoridade.