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17 de março de 2010

Antes tarde do que nunca

A noite de sexta-feira (12) não começou muito bem para a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo: a execução da Fanfare de Paul Dukas, apesar do bom desempenho dos metais, foi insossa e não empolgou o público, aparentemente formado em sua maioria por neófitos (é interessante notar a diferença entre o comportamento dos iniciantes e dos já habituados às salas de concerto).

Parte do ballet La Péri, composto por Dukas em 1911, a Fanfare poderia ter sido uma abertura divertida para a noite, mas foi tratada sem o devido brilho que a ausência das cordas em uma composição exige dos demais instrumentos.

O que era para ser o destaque da noite, a execução do Don Quixote de Richard Strauss com o violoncelista Guy Johnston, não decepcionou; mas, para um solista que tocou o Concerto para Violoncelo de Elgar no BBC Proms, maior festival de música erudita do Reino Unido, o desempenho de Johnston ficou aquém do esperado (merece destaque especial, no entanto, a viola de Giovanni Pasini, solista da OSESP, que travou belíssimos diálogos com o cello de Johnston, especialmente na primeira e terceira variações).

O melhor da noite ficou, quem diria, para depois do intervalo: uma encantadora interpretação dos Nocturnes de Debussy, repleta de lirismo e ainda com o desempenho impecável do coro feminino da OSESP, e uma Dança dos Sete Véus (também de Strauss) vibrante, retratando com precisão a perturbadora dança que Salomé executa para Herodes, deixaram o público em transe, encerrando muito bem as participações de Tortelier à frente da orquestra nestes primeiros meses de 2010.

10 de março de 2010

OSESP inaugura temporada 2010 em clima de brincadeira

Depois de um ano conturbado pelas polêmicas levantadas com a saída de John Neschling, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo deu o tom da nova temporada de concertos: descontração.

No primeiro dia de concerto, Yan Pascal Tortelier subiu ao palco para reger a Fantasia sobre o Hino Nacional Brasileiro, composta por André Mehmari, que substituiu a tradicional execução do Hino de Francisco Manuel da Silva. Poucos compassos depois, no entanto, ficou claro que a obra sendo executada se tratava da Marselhesa. E assim que o tema do hino francês apareceu, Tortelier interrompeu a orquestra gritando “Stop!”. Apesar de recebida por risadas discretas, a brincadeira do novo Regente Titular da maior orquestra do país manda uma mensagem importante: é hora de acabar com o clima que a demissão de Neschling gerou e seguir em frente. Com uma temporada complexa, que receberá 22 regentes convidados e dará início à ambiciosa iniciativa de executar todas as sinfonias de Gustav Mahler, não há tempo a perder com intrigas.

E com a bela execução de Lars Vogt do Concerto para Piano em Lá menor de Robert Schumann a orquestra se mostrou mais focada do que nunca. Apesar da escolha de uma interpretação não muito ortodoxa em alguns momentos, a sincronia entre solista e orquestra foi invejável, sendo ofuscada somente pela já conhecida simbiose que a OSESP mantém com o Coro de Naomi Munakata (que ganhou o reforço do Coral Paulistano para a interpretação do Salmo Op. 47 de Florent Schmitt). Passado um ano de muitas especulações e debates, a orquestra mostrou sua força logo na primeira semana, deixando todos ansiosos pelo que vem por aí.