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O Faxineiro

Swush, swush...
Depois de assitir ao "A Fonte da Donzela", comecei a me perguntar como Bergman contaria uma história do cotidiano, como, por exemplo, sobre um faxineiro varrendo um andar de um prédio genérico. E como eu tenho esse tempo livre para inutilidades, comecei a pensar como vários diretores fariam essa empreitada.
Woody Allen – Um faxineiro neurótico e com mania de perseguição(interpretado por Allen) trabalha em um prédio comercial durante o dia, quando faz suas investidas na secretária (interpretada por Scarlett Johansson) e toca clarinete em um clube de jazz durante a noite.
Igmar Bergman – O faxineiro (interpretado por Max Von Sydow) trabalha - filmado com uma fotografia em preto e branco - e declama para si mesmo:
- Pó. Sim, pó, todos seremos pó. Todos somos pó. A águia que levantou vôo, o peixe seco e solitário e o cão sarnento. Sim, pó. Depois larga a vassoura e vai jogar xadrez.
Luis Buñuel – Enquanto o faxineiro varre, alheio a tudo, uma vaca passa ao fundo arrastando dois pianos e um gato. O faxineiro, então, tira do bolso de suas calças uma escada, que usa para pegar uma caixa e libertar quinze macacos; os macacos cortam seu olho com uma navalha.
Tim Burton – Interpretado por Johnny Depp, o faxineiro trabalha e canta a trilha composta por Danny Elfman, sonhando com uma vida melhor.
Sergei Eisenstein – Cansado da exploração, o faxineiro discursa no Sindicato dos Faxineiros em cima de um caixote e convence seus colegas de profissão a lutarem contra a exploração capitalista usando suas vassouras.
Quentin Tarantino – O faxineiro tem seu trabalho interrompido por quinze homens armados com espadas, que invadem o prédio para vingar seu mestre. Ele luta com os quinze usando sua vassoura; e vence.
And Now for Something Completely Different
A man with three noses

Como não dar vexame em salas de concerto
Em quatro passos básicos

Cof cof!
1 – Não aplauda entre os movimentos de uma peça. As pausas têm razão para existir. Se não a tivessem, não existiriam, como em algumas peças do fim do romantismo (Rach 3, por exemplo).
2 – Tente não acompanhar o tema da peça batendo os pés. Também não vale tamborilando na cadeira, espremendo seu copinho de plástico ou usando sua voz de soprano. De instrumentos de som estranho já bastam aqueles coitados que ficam no fundo da orquestra.
3 – Resista à tentação de tossir entre os movimentos só para imitar os outros. Você não está no seu check-up mensal e, por mais que você queira, ninguém vai te dar a vez pra falar, mesmo.
4 – Lembre-se: dentro da sala também age a lei da gravidade. O programa que está no seu colo não vai flutuar no ar se escorregar da sua perna.
E lembre-se também: (não) dar vexame é uma arte, então (não) pare por aqui.
All work and no play?
Dull.

The dull boy.
All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy. All work and no play makes Jack a dull boy.
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Feliz ano-novo.
Olé!

Depois de muita provocação o touro não resistiu e investiu contra o vermelho.
A arena estava montada no Gran Salón Doña Inês, no Espacio Riesco. O toureiro começou suas investidas com determinação e, mesmo cercado por uma platéia de cacife internacional, não se deixou intimidar. Foi com um golpe ousado, no entanto, que o matador se deu mal e trouxe à tona toda a ira do touro, que respondeu com um sonoro: “Por que você não cala a boca?”.
Esse foi o cenário do último dia 10 na Cúpula Ibero-Americana, em Santiago, no Chile. Reunida pela 17ª vez desde a sua criação, a Cúpula colocou sob o mesmo teto chefes de Estado e de governo de 22 países, além do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, e o secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias, ex-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Todos estavam ali presentes para tratar do tema definido para o encontro, Coesão Social.
Em seu discurso de encerramento, porém, o presidente venezuelano Hugo Chávez enveredou por outros caminhos, chegando a referir-se ao ex-presidente espanhol, José María Aznar, como fascista, provocando uma resposta do atual presidente, José Luiz Rodrigues Zapatero. “Quero expressar ao presidente Hugo Chávez que, em uma mesa em que há governos democráticos, tem-se como princípio essencial o respeito. Pode-se estar nos extremos opostos de uma posição ideológica, e não serei eu a estar próximo das idéias de Aznar, mas o ex-presidente Aznar foi eleito pelos espanhóis e exijo esse respeito", disse Zapatero. Em protesto, Chávez disse que "Com a verdade, não ofendo nem temo. O governo da Venezuela se reserva o direito de responder a qualquer agressão". Ao tentar responder à declaração, Zapatero foi interrompido constantemente pelo petropresidente, até que o Rei espanhol interveio na conversa com um sonoro “Por que você não cala a boca?”, dirigido a Hugo Chávez.
Nascido em Roma, em 1938, Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Borbón, foi coroado Rei Juan Carlos I da Espanha em 1975 e é visto por muitos como o grande responsável pela redemocratização da Espanha, que sofreu sob o regime ditatorial do General Francisco Franco por quase quarenta anos. Casado com a Rainha Dona Sofia e acumulando mais de 30 títulos – entre os quais “Conde de Habsburgo”, “Cavaleiro da Ordem de São Xavier” e “Rei de Jerusalém” – Juan Carlos I segue na chefia do Estado espanhol até passar o poder para seu filho, o Príncipe das Astúrias, Filipe.
Já a Cúpula, nasceu em Guadalajara, no México, em 1991 e, segundo o Ministério das Relações Exteriores, “constitui foro de concertação política sobre temas de interesse comum, tendo por base o compromisso com os princípios da democracia representativa e com respeito aos direitos humanos, às liberdades fundamentais e à autodeterminação dos povos”. Sics à parte, a Cúpula vem se reunindo desde julho de 1991, tratando de temas como “Reafirmação da vontade política para ação comum no cenário internacional”, “Governabilidade para uma democracia eficiente e participativa” e, nesse ano, a já mencionada Coesão Social.
Cada reunião da Cúpula resulta em uma declaração, que leva o nome da cidade onde se realizou o encontro. A Declaração de Santiago, porém, foi violentamente soterrada por declarações do presidente Chávez, que insiste em dar momentum às notícias de seu bate-boca e segue, sabe-se lá até quando, lançando mão da postura – indigna de um Chefe de Estado - de “O Rei foi ruim comigo”.